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Dá para deixar de ser deste Benfica?

por Marquês, em 21.08.13
Não vivi na década de 1960, não vi o Benfica ser bicampeão europeu, não vi Eusébio de encarnado, nem tão pouco Chalana ou Rui Águas. Falaram-me deles e senti orgulho, porque um dia, ainda petiz, quando toda a gente me tentava iludir a escolher um clube, eu disse: Benfica! Decisão complicada mas da qual nunca me quero arrepender porque tal é impossível. É mais forte do que eu.

É certo que também tive os meus momentos de fraqueza. Aos oito ou nove anos de idade, em pleno penta de Jardel e companhia, atirei ao chão um equipamento do SLB que a minha madrinha me ofereceu. Quis mudar para o FC Porto. O meu pai, benfiquista, deixou-me acreditar que isso era possível, durou menos de uma semana. Não conseguia dizer que era portista e acreditar nas minhas palavras. Eles ganhavam mais que nós, ainda ganham, mas o meu coração não batia por eles. A minha mãe teve o bom senso de não ligar à minha birra e ainda hoje guardo o equipamento.

É certo que já injuriei meio mundo encarnado. Pudera, odeio perder, odeio perder para um rival, odeio ser afastado de uma competição. Insulto a televisão, insulto os jogadores, os treinadores e os presidentes mas nunca insulto o Benfica. Não vivi nos seus maiores anos de glória mas cresci a ver as tiradas do velhote Preud'homme, a garra de João Pinto, as fintas de Poborsky ou as movimentações perfeitas de Nuno Gomes. Resisti ao 6.º lugar, num ano em que dispensamos dois dos melhores treinadores do mundo, resisti aos 11 anos sem títulos, e quero continuar a resistir.

Mas este ano sinto algo diferente. Depois do final da última época, sinto que era o tempo ideal para a mudança. A equipa não tem um líder, não tem garra ou ambição, não existe união, não existe amor à camisola. No seu conjunto não existe conjunto. Acho que isto resume o Benfica de hoje. É preciso alguma coisa, talvez muitas coisas. Faltam dez dias até fecho do mercado, até fechar o plantel, e o que temos agora, passadas sete semanas desde o início da pré-época, é um rascunho várias vezes riscado da equipa que no ano passado tudo perdeu. Admito que tem algum perfume novo dos balcãs mas isso não chega para ser o Maior de Portugal.

Faltam dez dias. E muita coisa pode acontecer. Mas só um milagre me vai fazer mudar de ideias. No FM 2014, vou treinar no Campeonato Nacional de Seniores com o clube da minha terra!

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