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Apetece-me

por Marquês, em 17.01.14
Hoje apetece-me ter os meus 16 anos e sair à noite.

Só hoje, só por uma noite, ter 16 anos e tudo à volta ser igual ao que era. Os mesmos bares abertos, os mesmos preços, as mesmas companhias, as mesmas roupas, tudo. Ténis grandes, calças largas, t-shirt vermelha com um símbolo parecido ao da O'Neill, casaco laranja com capuz, 10 euros na carteira.

Paragem obrigatória no Lion. A primeira bebida da noite tinha de ser o "metro". Nunca percebi o porquê de se chamar "metro". Não andava debaixo da terra nem tinha cem centímetros. Era uma vasilha com cerca de 2,5L de cerveja que vinha para a mesa, e tinha um manípulo para nós irmos servindo os nossos copos de imperial. Na maior parte das vezes era mais espuma que líquido mas a malta adorava. As meninas bebiam jarros de daiquiri. Certas noites havia vontade de jogar "drinking games". Entre rapazes, havia sempre conversas porcas e a palavra "mamas" entrava em todas as frases. Literalmente, em todas as frases. O meu jogo preferido era o "Eu nunca". "Eu nunca vi mamas". Quem já tivesse visto mamas, bebia. Ao fim de três copos, o jogo começava a ficar mais interessante e terminava sempre com histórias sobre paixões platónicas ou fantasias. A melhor de todas foi quando descobrimos que um dos membros do grupo tinha fantasias com a minha ex-namorada. Gozo geral, mas isso foi noutro bar e a noite tinha começado com um copinho de saké para cada um. Depois íamos a outro bar para ouvir rock e comer pipocas. Já fechou. Há cerca de sete anos que não como pipocas nas saídas à noite. O tempo ia passando. Às duas, a noite estava a terminar. Passávamos na praça para pedir um cachorro-quente, com tudo a que tínhamos direito. Milho, cenoura, ketchup, maionese, cebola, batata palha. Não gostava de cebola na altura, contudo, já que estava incluída, vinha na mesma. E íamos comer para a avenida, a ver o rio e a contar histórias. Por vezes, histórias inventadas ou ouvidas nos corredores da escola. Falava-se das miúdas que tínhamos adicionado no hi5 ou no msn. Os mais "experientes" tentavam sempre gabar-se e dar umas dicas. Em cada rapaz havia um Dr. Love! Estava na hora de ir para casa. Os horários ainda eram apertados e não podíamos fazer barulho ao entrar em casa.

Eram assim as noites, por norma uma vez por semana, ao sábado. Hoje apetece-me voltar atrás no tempo. Ter 16 anos outra vez, tudo igual, só hoje, só por uma noite...

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