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Sonhos pela manhã

por Marquês, em 21.02.14
foto "sacada" do Google, via blog intrusanacozinha

Sonhos. Quem não tem sonhos? Sonho no sentido abstracto, ou no sentido que vocês quiserem. Sonhos. A dormir, acordados, ao pequeno-almoço com café, sonhos. 

Já sonhei tanta coisa. Por norma, sonho acordado. Dormir é para descansar e repor energias. Raramente me lembro de ter passado a noite em aventuras, não consigo adivinhar o futuro enquanto ressono, não me recordo de ter caído de um escadote ou de um poço durante a noite. Sonho acordado. Sobre muita coisa, sobre tudo, sobre nada. Todos nós sonhamos, sonho eu. Fui uma criança normal, mais bonita e inteligente que as demais mas, mesmo assim, normal. Sonhava ser jogador de futebol, talvez ainda sonhe, maldita realidade que me deu dois pés esquerdos e a mania de ser dextro. Sonhava ter um Subaru Imprenza, igual aos jogos de Playstation, azul com estrelas doiradas. Já o confessei aqui neste blogue, tenho orgulho em ter sonhado ser um piloto de rallies ou apenas um azeiteiro. Sonhava ser rico e não precisar de trabalhar, descobri que não trabalhar é fácil mas o mundo capitalista não me deixa ser rico. Nota do autor: jogar no Euromilhões pode ser tentador para quem não gosta de trabalhar mas já gastei para cima de 20 euros e depois desisti.

Hoje em dia, continuo a sonhar e a viver entre sonhos. Sonho com o quê? Com tudo. Sonho com uma profissão de sonho, com várias até. Sonho com carros e mansões e vivendas e férias e viagens e idas à bola, muitas idas à bola, muitos carros, nada de Subarus. Desculpa, amigo Subaru, foste trocado por um modelo alemão que me permita vestir um fato clássico e usar óculos da Ray Ban. 

Enfim, sonhos...

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Clã dos homens-pantera

por Marquês, em 02.02.14

Desde o início dos tempos, homens-pantera e homens-leão lutam pelo mesmo território: Armalok. Kali é um jovem homem-pantera, filho do falecido Kapito, primeiro rei de Armalok e comandante do maior exército que a savana já conheceu. Mas Kali pouco sabe, nasceu em tempos de paz e as únicas lutas que conhece são as que trava contra os seus amigos, no seio de um pequeno grupo de refugiados. O seu pai foi executado numa emboscada levada a cabo por Goti, o traidor.

Os sobreviventes da emboscada que vitimou o primeiro rei de Armalok vivem escondidos no meio da selva, escondendo-se entre antigas cavernas, fugindo sempre que os batedores de Goti se aproximam. Kali não sabe porque vagueiam pela selva, parando poucas semanas em cada novo esconderijo. Está mais preocupado em ser o mais forte entre os seus amigos e em aprender tudo o que Famil, o líder do grupo e o mais velho entre os sobreviventes, lhe ensina. Está cada vez mais forte, mais ágil e não perde uma oportunidade para desafiar os mais velhos. Em breve será o mais forte do grupo! Só de pensar nisso, os seus olhos negros brilham e o seu pêlo, negro como a noite, até parece crescer. Os seus amigos já o respeitam e todos dizem que um dia será um grande líder. Ele sorri e sacode as orelhas. As jovens fêmeas fofocam às escondidas, dizendo como ele se está a tornar belo e forte, mas ele não se interessa por elas. Só quer lutar e pregar partidas. Logo pela manhã, Kali procura o seu mentor, que o espera no seu posto de vigia. Há quem diga que Famil não dorme, está sempre atento. O jovem homem-pantera não acredita mas a verdade é que nunca apanhou Famil a dormir ou sequer desprevido. O velho mentor sabe sempre quando alguém se aproxima.

Uma noite, Kali desrespeitou as ordens para ir deitar-se e tentou enganar Famil. Levantou-se da sua cama, um monte de velhas folhas de árvore-sol, a árvore sagrada de Armalok, e aventurou-se pela selva à procura de Famil, com muito cuidado para não pisar os seus colegas e evitar qualquer barulho. O seu mentor estava sentado em cima de um rochedo, à entrada da passagem que dava para a caverna. Camuflado pela noite, apenas a sua barba branca brilhava ao luar. Kali misturou-se na vegestação e foi-se aproximando devagar. Já estava a menos de cinco passos e num salto era capaz de atacar o seu mentor.
- Sai daí, Kali. Devias estar a dormir junto dos outros.
- Bolas! Como sabes sempre quando me aproximo, não fiz barulho nenhum!
- Pensas tu, não foste assim tão astuto. Sei da tua presença desde que chegaste junto da passagem, ainda és muito desastrado. Para além disso, fugiste ao banho que Arlip preparou e estás a tresandar. - olhou então para trás, para ver melhor a cara de desilusão do jovem Kali - Senta-te ao meu lado. Quero contar-te uma história.
- Boa - Kali saltou para junto do rochedo e sentou-se - adoro as tuas histórias.
- Também fui mentor do teu pai. Eu e ele éramos muito amigos, era como um filho para mim - Kali adorava ouvir histórias sobre o seu progenitor. Sabia que ele tinha sido um guerreiro temível e um grande rei. Famil continuou - ele era tal como tu, queria ser o mais forte mas tinha dificuldade em ouvir os conselhos que lhe davam. Na nossa antiga aldeia, havia uma estátua sagrada, feita à mão pelos nossos antepassados, que estava na tenda do grande chefe. Uma noite, o teu pai esperou que todos se deitassem e tentou esgueirar-se pela entrada da tenda do grande chefe. Conseguiu entrar na tenda, sem fazer barulho, e roubou a estátua sem que o grande chefe acordasse. Estava eufórico quando saiu da tenda, com o troféu da sua aventura nas patas. Porém, eu já esperava por ele cá fora. Quase deu um grito quando me viu. Calmamente fui ter com ele e disse-lhe para devolver a estátua antes que arranjasse problemas. Ele era muito teimoso, tornou-se um guerreiro fantástico quando começou a ouvir os conselhos que lhe davam.
- Como conseguiste apanhá-lo? Tu próprio disseste que ele não tinha feito barulho. Nem o grande chefe se apercebeu!
Famil esboçou um sorriso.
- Sabes, Kali, quando os motivos que nos regem não são puros, acabamos por ser sempre descuidados. Um dia, quando os teus motivos forem puros, vais conseguir enganar-me. Até lá, deves ouvir os meus conselhos.
- Continuo sem perceber como fizeste isso...
- E agora tenho um conselho para ti. - antes que Famil falasse, Kali virou as costas e regressou à cama. Já conhecia esse conselho...

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Uma passagem secreta

por Marquês, em 02.02.14
Às vezes sou uma pessoa complicada. Só às vezes. Ontem à noite, depois de jantar (que por acaso estava mesmo saboroso - lombo no forno com batata, tudo produtos caseiros, apenas azeite, sal e um pimenta q.b. a temperar... hum, delícia), fui ter com uns amigos. Não posso dizer que fui ao café porque aquele sítio tem sete definições diferentes nos toldos à entrada, não posso dizer que fui beber café porque bebi duas médias, não posso dizer que fui beber uma cerveja porque na mesa estavam cafés, Pepsi, chocolates quentes... Enfim, saí de casa por uns tempos.

E nesse café/beer lounge/snack-bar/sei lá o quê mais é preciso percorrer três divisões, passar à porta da cozinha e não entrar na arrecadação, atravessar um corredor com pouca luz e rezar para que não esteja nenhum estripador escondido num canto escuro, para ir ao WC verter líquidos. Eu arrisquei-me, não por opção mas por necessidade. Contudo, a viagem não correu tão bem como esperava. A meio da viagem, as luzes começaram a rodar à volta da minha cabeça, na parede abriu-se um portal e eu fui sugado para outra dimensão.

Acordei com a cara na lama, ao lado de um lago. Levantei-me, sacudi a roupa e olhei em redor. Ao longe avistei uma nuvem de fumo. Tive receio mas fui nessa direcção, onde há fumo há fogo, onde há fogo costuma haver gente. Caminhei até lá, sempre com o lago à minha esquerda. Paisagem magnífica, água cristalina, do meu lado direito apenas floresta, relva verde debaixo dos meus pés. Não havia ninguém junto da fogueira, apenas um caldeirão com água a ferver e um peixe espetado num pau, um pargo, pensei eu. Tive medo de chamar por alguém, podiam ser bandidos ou foragidos. Já li muitos livros e essa hipótese costuma ser a mais frequente. Deambulei pelas redondezas, apenas se ouvia o canto dos pássaros e as folhas das árvores a dançar ao som do vento. Não fui de meias medidas, tinha fome e tirei o pargo de cima da brasa. Era saboroso, faltava-lhe apenas uma pitada de sal. Comi num ápice, com apetite e com medo que os donos do peixe surgissem do meio da vegestação. Tal não aconteceu e tive de seguir em frente, à deriva, à procura de uma aldeia ou de alguém que me pudesse explicar onde me encontrava. Continuei a passear à beira do lago, estava maravilhado com a clareza da água. Soubesse eu nadar e ia dar um mergulho, estava calor, o sol brilhava bem alto, o dia ainda ia a meio. Ouvi vozes, parei, escondi-me atrás de um pedregulho e fiquei à espreita. Um grupo de três homens se aproximava da fogueira. Pareciam bandidos, roupas sujas e rasgadas, o pargo devia ser o almoço deles. Encolhi-me o máximo que pude e tentei suster a respiração. Um deles, o mais baixo, gritava improprérios indecifráveis, possivelmente contra o ladrão que lhes tinha roubado a iguaria. O meu coração batia a mil, estavam a menos de duzentos metros e conseguia sentir-lhes o cheiro, já não deviam tomar banho há alguns dias. Eles continuavam a olhar em redor, à procura de alguém, à minha procura. Olhei na direcção contrária, a floresta estava a poucos metros e, uma vez aí embrenhado, seria difícil me encontrarem. Esperei pelo momento certo e dei uma corrida para o meio das árvores. Nem olhei para trás para confirmar se a minha fuga tinha sido bem sucedida, corri o mais que pude, sem olhar para trás, evitando rastos ou indícios de velhos caminhos. Corri durante segundos, minutos, vários metros, pelo meio das árvores e do mato. Até que parei numa clareira. Não tinha noção de quantos metros tinha percorrido, talvez quilómetros. O lago tinha ficado para trás, nem sinal dos bandidos. Baixei a cabeça e inspirei o máximo de ar possível, só entei reparei que estava ofegante. Precisava descansar, ninguém me tinha seguido, tentei escutar mas o bater do meu coração era muito forte. De repente, senti uma picada no peito, outra picada no ombro, olhei para baixo, tinha duas setas espetadas na minha carne. Tentei gritar mas faltaram-me as forças, cai de joelhos, as folhas começaram a agitar-se, alguém falou e duas sombras entraram na clareira. Duas mulheres, cabelo loiro a cair pelas costas, orelhas pontiagudas, uma delas empunhava um arco e uma seta apontada na minha direcção, senti a vista turvar, tentei levantar um braço e dizer que não lhes queria fazer mal mas não tive forças, tombei para a frente e fechei os olhos.


Quando acordei, estava à porta do WC. Achei estranho. Nem verti líquidos, dei meia volta aos sapatos e dei de frosques. Acho que tão cedo não volto lá. Hoje reparei que tinha uma ferida no peito, não deve ser nada...

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