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Esta é para ti, Henrique

por Marquês, em 15.07.14
Às vezes apetece-me...

Sair à rua todo pelado.
Sair à rua só de cuecas.
Sair à varanda todo pelado.
Sair à varanda só de cuecas.
Correr pela cidade só de ténis, para não magoar os pés.

Outras vezes apetece-me ser taxista. Mas se calhar é mais perigoso que sair à rua todo pelado.

Ser taxista deve ser bom. Ou mau, se não gostarem de conduzir ou de dar ao traquejo. Mas se não gostam de conduzir, por que raio tiraram licença de taxista? Não vos percebo. Eu gosto de conduzir. E de dar ao traquejo. Quer dizer, nem sempre. Às vezes, vá.

E conduzir um "carro de praça" todo pelado? Talvez já esteja a abusar.

A última vez que passei por um táxi, cujo taxista ostentava um belo bigode e os amassos da camisa faziam adivinhar uma bela barrigota, fiquei com vontade de ser taxista. Não pelo facto de poder transportar uma rapariga jeitosa como era a sorte daquele taxista. Ou pela adrenalina de levar alguém à Damaia e poder chegar a casa só de cuecas e sem carteira.

O taxista parecia alegre, talvez estivesse a tentar explicar à rapariga, numa mistura de inglês e português, que à esquerda tinha a marina, uma das mais bonitas do Algarve, e à direita ia surgir a estátua do Infante D. Henrique. "Quem?" Perguntaria ela. "O filho do rei D. João I e um dos nomes mais importantes do início dos Descobrimentos. Aliás, a menina sabe que chamam a Lagos a Cidade dos Descobrimentos? Daqui saíram muitos barcos para aventuras em África e até para lá do Cabo Bojador. Bojador, não? Também lutou em Ceuta. Marrocos." "Oh, Marrocos, Africa, sim." "Também temos uma estátua de D. Sebastião, no centro da cidade. Também não conhece? Não faz mal, esta eu dou de graça. O rapaz não foi propriamente o nosso melhor rei. Chegou ao trono cedo demais, tinha a mania que sabia tudo e queria andar à porrada. Queria batalhas e mais batalhas. Desapareceu em Alcácer-Quibir." "Morreu em batalha?" "Olhe, ninguém sabe. Nunca mais foi visto e não existem confirmações nem da sua morte nem da sua captura nem da sua fuga. Talvez por isso se tenha tornado uma lenda. Dizem que um dia, numa noite de nevoeiro, D. Sebastião irá regressar." "E você acredita nisso?" "Sinceramente, teria a sua graça. Mas acho que ninguém vive tanto tempo, ele desapareceu no século XVII. Bem, aqui está o seu hotel. São 5,70€." "Tome dez, pode ficar com o troco." "Muito obrigado, menina. Tenha uma boa estadia."

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