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Hoje é dia de clássico

por Marquês, em 12.02.16

Hoje é dia de clássico.

Num clássico não há favoritos, não há equipas num mau momento, não há jogadores em má forma. Num clássico há onze privilegiados contra onze privilegiados. Não está ao alcance de qualquer um, jogar um clássico tem de ser encarado como um dos momentos altos da carreira de qualquer jogador, de qualquer treinador, de qualquer dirigente.

Um adepto sente isso. Não é apenas mais um jogo, é um clássico. Num clássico não há pequenas lesões ou cabeças a olhar o chão. Num clássico jogam aqueles que conseguem sentir o peso da camisola e que estão dispostos a correr até à exaustão.

Nunca joguei um clássico. Mas vivo os clássicos. Mesmo que por vezes tente fingir que não estou com muita atenção, mesmo que não consiga por alguma razão ver o jogo, estarei a viver o clássico por dentro. Afinal de contas, a paixão pelo clube é algo que não se explica, sente-se.

Um clássico é especial.

Não quero saber de jornais, de comentadores, de opinadores, de redes sociais. O clássico começou ao pequeno-almoço, ao escolher a camisa vermelha para vir trabalhar, ao beber o café da manhã, e continua mais logo quando o Gaitán, o nosso capitão, entrar no Estádio da Luz a liderar uma equipa de 18 homens com vontade jogar um clássico, quando se sentarem no balneário e cumprirem o ritual de ajeitar as caneleiras, apertar as chuteiras, vestir o manto sagrado, entrar no túnel, pisar o relvado e sentir a força de 60 mil que se agitam nas bancadas e vibram com cada toque na bola.

Hoje não ligo a faltas não assinaladas, penáltis por marcar, puxões ou empurrões. Um clássico são os cortes do Jardel, os carrinhos do Samaris, os dribles de cabeça levantada do menino Renato, são as defesas do imperador e as suas palavras de motivação, são os toques de magia do camisola 10, são as desmarcações silenciosas do Pistolas, são os golos e as jogadas que levantam um estádio, que levantam uma plateia de milhões de espectadores.

Há quem diga que o “jogo” de hoje não decide nada e ainda há muito campeonato. Não podiam estar mais errados.

Todos os clássicos importam.

O bis do Nuno Gomes ao Baía, o livre do meio da rua do Laurent Robert, a astúcia de El Conejo Saviola, o tiro de raiva do Carlos Martins, o bis do Lima quando já diziam que estava acabado, o tiro do Rodrigo Eusébio e a cabeçada do Garay Eusébio. O ruidoso balançar das redes.

Hoje é dia de clássico.

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