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Fevereiro

por Marquês, em 20.02.13
Amigos meus, meus amigos, peço-vos desculpa pela minha ausência não anunciada. Estive de férias. É verdade, aqueles dias pelos quais os trabalhadores comuns deste mundo anseiam sucederam nestes dias e não quis perder os meus preciosos minutos de descanso em frente a um computador. Isso e preguiça, maldita!

Espero que a vida vos esteja a correr bem. 2012 já nem lembra ao diabo e melhores dias virão. Já vamos em Fevereiro, o mês pelo qual os homens tanto choram, pelo bom e pelo mau. Este mês malandreco significa a chegada da fase a eliminar da Liga dos Campeões e da Liga Europa, o futebol espectáculo, a emoção da bola, os lances polémicos e os adeus inesperados. Mas marca também o dia de S. Valentim, pelo qual as raparigas se pelam, sempre à espera de surpresas. É verdade, nós homens sofremos uma pressão imensa nesta altura e tudo o que idealizamos é um esforço em vão. Nada corre como planeado, elas ficam desiludidas e, em certos casos, lembram-se de ficar tristes em noite de Liga dos Campeões! Não me sucedeu isso mas sei que acontece. Estou convosco amigos, temos de ser fortes nestas alturas!

Nestes dias para o relaxamento consegui ver a bola, fui raptado por extra-terrestres verde-alface, comi pela primeira vez uma francesinha, andei de teleférico, explorei os confins mais profundos da Terra, aventurei-me à descoberta do caminho marítimo (é justo dizer caminho marítimo quando só atravessei um rio?) para o outra margem, ganhei o euromilhões, gastei tudo em meninas, aguardente velha e apostas em cavalos, fui a Vegas, casei com uma stripper, divorciei-me, voltei a casar com a mesma stripper, voltei a divorciar-me, tentei roubar um tigre a um famoso, roubei um caniche a uma velhota, estive preso, não fui sodomizado à bruta, fugi num cesto da lavandaria, voltei a casar com a mesma stripper e apanhei boleia de um golfinho até ao estuário do Sado. Ou então estive só a preguiçar no sofá a ver comédias românticas e a engordar à base de batatas fritas de pacote e Ice Teas de marca branca...





Bom resto de Fevereiro e que venham daí os textos à sombra de uma fatia de pão e um copo de vinho. Já passou essa data manhosa, a inspiração irá voltar aos poucos e as minhas palavras sem sentido irão fluir neste espaço novamente.

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Falta de criatividade no juízo final

por Marquês, em 07.01.13
As últimas três semanas devem ter sido a coisa mais aborrecida de sempre na vida das redes sociais. Na minha experiência própria, e ainda bem que tirei férias de tecnologias durante nove dias, não existe coisa mais aborrecida que a falta de imaginação.

Até S. Pedro, que toda a gente sabe que era o "dono" das portas do céu até a Igreja Universal do Reino de Deus vender as chaves a um pobre brasileiro de Minas e que costuma brincar com a meteorologia, tem feito gracinhas e já deixa o pessoal andar de óculos de sol em Dezembro e vestir o casaco em Julho. Mas nas redes sociais, meus amigos, é sempre a mesma lengalenga. Tenho pelo menos meia centena de amigos que fez questão de mostrar ao mundo que tinha sobrevivido ao seu fim. Os outros limitaram-se a fazer o mesmo que eu, respirar normalmente como se nada fosse. Aos que construíram bunkers tenho de dizer isto: "Vocês são muito inteligentes. Se a Terra for destruída por um tsunami, morrem presos num aquário, se um meteorito fizer explodir o centro do planeta vocês são os primeiros a ir ao barbecue. Muito inteligentes...".

Já sobrevivi a dois dias do Juízo Final, 31 de Dezembro de 1999 e 22 de Dezembro de 2012 e começo a levar isto na desportiva. Até estou a coleccionar um álbum com estas datas para poder mostrar aos meus netos. "Estás a ver Xiquinho, o avô, com 23 anos desviou um meteorito da Terra só com um taco de basebol e uma mini." "Zequinha, anda cá. Uma vez, uns mexicanos de uma tribo, "os Maias", fizeram um calendário onde diziam que o nosso Planeta ia explodir. Ora, o avô, quando soube disso ficou muito chateado com eles e alugou um avião para ir ao México. A tribo estava escondida numa floresta muito perigosa mas o avô, com uma fisga e uma espada de samurai foi penetrando pela floresta até encontrar a tribo. Lá, o avô teve de lutar contra os guerreiros mais fortes, só vestido com uma sunga leopardo. Como o avô viu os filmes do Rambo e do Indiana Jones, sabia exactamente como atacar "os Maias". Depois de bater nos maus todos e de galantear todas as virgens d'"os Maias", o avô desafiou o chefe dele: o Carlos Guevara Eduardo! Numa batalha até à morte, o avô pegou na espada de samurai e cortou o chefe da tribo, mas ninguém morreu. O Carlinhos aceitou a derrota e continuou o calendário numa azinheira, até ao ano 3012. Caso para dizer, quem cá andar nessa altura vai apanhar um belo cagaiço, hehe. Agora vai lavar os dentes e vai dormir."

E como ainda não percebi como funciona esta coisa, nem sei quando devo parar de dizer isto, um bom ano para todos vocês, amigos, inimigos, conhecidos e desconhecidos, carecas e cabeludos, magrinhos e balofos, feios e bonitos, divirtam-se neste 2013 e façam muito amor!

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Adeus 2012, olá 2013

por Marquês, em 04.01.13
Bem, o mundo não acabou mas acabou 2012, passou o Natal e estou de regresso a este meu cantinho. Foi com algum pesar que fiquei afastado e tanta história que teria para contar destas três semanas de retiro espiritual (pode-se falar em retiro espiritual se for um retiro com bebidas espirituosas?) mas vou deixar para outro dia.

2012, ano em que mudei de emprego, mudei de casa, mudei as rotinas, mudei as rotas de fim-de-semana, mudei os hábitos do dia-a-dia, mudei os lençóis da cama, mudei de orientação sexual (estou a brincar, desistam rapazes, ainda sou heterossexual assumido), mudei de computador. Venha daí o novo ano! De certeza que hei-de arranjar qualquer coisa para mudar. Talvez mudar para um carro novo ou mudar-me para Nova Iorque...

PS: Hoje uma colega minha falou-me numa expressão proferida por um humano do sexo feminino em plena puberdade: "És tão 2012!" - na situação esta expressão foi jogada contra a face de uma amiga. A seguir aos memes de futebol de novo ano por tudo e por nada, isto é das coisas mais estúpidas que vou ouvir este ano. 2013 ainda mal começou e já tem dois tesourinhos deprimentes...

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Grande, Grande Shevchenko!

por Marquês, em 20.06.12
É com pena que vejo a notícia de que Andriy Shevchenko diz adeus à sua carreira de internacional. O fim era inevitável, Sheva já leva 35 anos e a condição física está longe do seu auge. Mas Sheva é a lenda viva do futebol ucraniano, pós-URSS. O capitão da selecção despede-se 17 anos depois, com 111 jogos e 48 golos, melhor marcador pelo seu país e segundo mais internacional de sempre. Talvez haja um jogo de despedida, talvez chegue à marca da meia centena de golos, talvez no futuro algum outro futebolista ucraniano ouse alcançar os feitos do eterno 7, mas de certo nunca mais vai haver Shevchenko vestido com as cores do seu país em jogos oficiais...


Shevchenko sempre foi dos meus jogadores preferidos. Só o conheci já em Milão, um avançado elegante, oportunista, trabalhador, inteligente, dotado de grande técnica e velocidade. Tornava o difícil fácil, aliás, para ele nada era difícil. Quer estivesse na pequena área ou no miolo do terreno, uma bola nos pés de Sheva era sempre um lance perigoso. Lembro-me de ver jogos em que os defesas pareciam parar para ver os golos de Sheva. Muitas vezes nem precisava olhar para a baliza ou tão pouco para os adversários, gostava de ver a redondinha no pé. A sua jogada mais característica diz muito sobre si - simples, humilde, inteligente e acima de tudo, eficaz - na cara do defesa, toque curto para o lado e remate ao poste mais distante, está feito mais um golo. Também gostava de pegar na bola perto de meio-campo e ir passando os adversários em velocidade, no contrapé, alternando toques curtos junto dos adversários e toques longos quando tinha espaço para correr. Shevchenko abandona a selecção com a mesma cara de jovem humilde e sonhador com que a abraçou em 1995, o jogador mais jovem a marcar pela Ucrânia, o jogador mais velho a marcar pela Ucrânia, o jogador que mais marcou pela Ucrânia. Um ídolo em Itália, um ídolo no seu país, um ídolo no futebol europeu. Nos videojogos de futebol era o meu talismã. Outros avançados estavam ali, pixelados no ecrã, mas Sheva era especial, nem precisava que eu tocasse nos botões para inventar jogadas e marcar golos. Até em "boneco" jogava em piloto automático e era uma verdadeira máquina! Ajudou as equipas por onde passou em 20 títulos, incluindo uma Liga dos Campeões, e deixou o seu nome na história dos melhores marcadores de Itália e da Europa. Faltou-lhe ser eleito o melhor do Mundo, foi terceiro em 2004, mas nós perdoamos a FIFA por essa falha.

Deixo-vos um vídeo com alguns dos melhores momentos de Shevchenko, onde é impossível não notar que era o avançado perfeito para os jogos grandes, para os derbys e para os clássicos.


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Nunca mais chega o Euro

por Marquês, em 07.06.12
Nunca mais chega o Euro...

Quero ver futebol, quero viver futebol, quero respirar futebol, quero falar de futebol, quero jogar futebol, quero chamar nomes ao futebol, quero rir do futebol, quero chorar do futebol, quero futebol...

O Euro2012 está a chegar. As melhores selecções da Europa, os melhores jogadores da Europa (com excepção do Giggs), os melhores árbitros da Europa, grandes lances, grandes jogadas, grandes fintas, grandes pormenores, grandes remates, grandes defesas, grandes cortes, grandes faltas, grandes, grandes, grandes... 80 mil pessoas num estádio a gritar, a cantar, a sorrir, a festejar, a vencer, a chorar, a empatar, a perder, a viver o futebol. Quero um bilhete de viagem para a Polónia, quero estar na primeira fila quando Portugal jogar, quando o Rui Patrício bater um pontapé de baliza, quando o Pepe fizer um carrinho, quando o Bruno Alves ganhar uma bola no jogo aéreo, quando o Moutinho inventar uma nova linha de passe, quando o Cristiano Ronaldo fintar um adversário, quando o Quaresma fizer uma trivela, quando o Coentrão investir pela ala esquerda, quando o Hugo Almeida marcar um golo, quando o Nani der um mortal, quando o Nélson Oliveira entrar em campo, quero estar no Euro, quero ser parte do Euro, quero ver de perto, quero sentir, quero emocionar-me, quero rir, quero rir muito, quero cantar bem alto o nosso hino e gritar PORTUGAL até me faltar o raio da voz e até me doer a garganta e até não ter forças para levantar a bandeira. Quero dizer à Europa e ao Mundo que sou português, quero dizer que um dia também vou vencer, quero dizer que as derrotas não entram no vocabulário.

Quero sentir na pele o prazer de entrar num relvado com 80 mil a cantar por mim, sentir o cheiro da relva, sentir o peso da camisola, sentir a redondinha no pé, sentir o apito do árbitro, sentir cada golo, sentir o prazer imenso de representar um país perante um continente, sentir o prazer de vencer em nome de todos os milhões de portugueses, sentir o gosto da vitória, sentir o suor a escorrer pela cara, sentir as pernas cansadas e esquecer a dor, sentir a força de uma nação. Mandem-nos logo para casa, percam os três jogos, mas joguem, divirtam-se, lutem, mostrem garra e paixão, sintam a honra do símbolo e a alegria de todos nós...

Até lá, bandeira preparada, t-shirt no tronco, mão no coração e pulmões a todo o gás. Quando soar o hino não seremos 11, seremos 20 milhões a cantar pelos "Heróis do mar", seremos um país unido na tristeza e na alegria por um bem maior, por todos nós. Que Paulo Bento e companhia sinta o Euro como eu o sinto, que vivam o que eu queria viver, que lutem até ao último fòlego deles e que lutem até ao último fòlego dos 20 milhões de portugueses espalhados pelo Mundo. Dia 9 de Junho não seremos 11 nem 11 milhões, seremos o Mundo!

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