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Pais emigrantes

por Marquês, em 19.09.16

O meu pai é emigrante.

 

Há cinco ou seis anos o meu pai decidiu emigrar. Bem, não foi propriamente uma decisão dele. A empresa onde ele estava atravessava uma fase complicada em Portugal e o passo seguinte era seguir para outro país. Destino: Angola.

 

O meu pai é mecânico. Não por ser meu pai mas nunca conheci ninguém tão bom em maquinaria e carros.

 

A empresa entretanto declarou insolvência em Portugal, como muitas outras na área, e Angola parecia um Oásis. Oásis esse que já deixou de ser miragem e a realidade nem sempre é boa. Desde então vejo o meu pai duas vezes por ano. Verão e Natal. Os 22 dias úteis de férias nem sempre são exactos e o tempo é relativo.

 

Sempre tive uma relação boa com o meu pai. Apesar de os meus pais serem divorciados, sempre me dei bem com ambos e mesmo após a separação tento conciliar o tempo livre que tenho para passar bons momentos em família. O meu pai sempre foi um pouco ausente mas paciente. Várias vezes acedia a jogar à bola comigo mesmo sem ter jeito para dar dois toques seguidos numa bola - infelizmente acho que herdei essas aptidões dele. Ensinei-o a jogar xadrez mas ganhava-lhe sempre. Tentou ensinar-me a jogar à sueca mas sou muito distraído para ter sucesso.

 

Hoje em dia penso nos momentos que tivemos juntos com nostalgia. Caramba, estamos a milhares de quilómetros de distância e o homem que sou hoje também devo a ele. Apesar de não compreender exactamente o que faço, pagou-me as propinas e fica feliz pelo simples facto de eu ter trabalho. Se ganho pouco ou muito nunca foi problema para ele. Nem mesmo quando me despedi para embarcar numa fracassada demanda de ano e meio sem rendimentos.

 

O meu pai é assim mesmo. Acredita em mim mais que ninguém, mais que eu próprio.

 

Hoje fui levá-lo novamente ao aeroporto e tudo estava bem. Como sempre. Caramba, tenho uma dívida de milhares para este homem que me criou e ajudou a tirar um curso universitário.

 

Caramba, um dia vou fazer com que o orgulho que ele tem de mim seja ainda maior!

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Mammarella, bom guarda-redes, mau pai

por Marquês, em 14.11.12
Alguém viu o Portugal - Itália no Mundial de Futsal? Aquele guarda-redes italiano é realmente uma máquina.

Resultado à parte, os italo-brasileiros jogam bem e têm mais cinismo que os portugueses, não soubemos jogar inteligentemente e voltamos a morrer na praia. Vou só desabafar uma palavra para a dona árbitro, que é brasileira, tal como metade da selecção italiana de futsal, é de São Paulo, onde vive a maior comunidade de italianos no Mundo (a seguir a Itália), e é uma indígena sem pingo de decência. Para a próxima quero o Lucílio Batista a arbitrar um Portugal - Brasil a ver se gostam!!!

Mas, voltando ao que me fez vir aqui escrever umas linhas, até porque comecei a escrever quando Portugal ganhava 3-1, que me dizem do guarda-redes italiano, Mammarella. Que grande patife! O homem defendeu tudo o que havia para defender numa exibição fantástica. Efectuou defesas que nunca julguei estarem ao alcance de um ser humano.


Pois então, estava eu a ver o Mammarella a apanhar bolas e estava a imaginar como seria se o homem tivesse um filho e fosse jogar à bola com ele. Imaginem, um puto de 4 anos, uma bola quase do tamanho do miúdo e o Mammarella. O puto, na sua inocência de petiz italiano, manda o pai para a baliza, coloca a bola na marca de grande penalidade e faz de Pirlo nos quartos-de-final em 2012 contra a Inglaterra. Corre para a bola, chuta com a classe de um petiz italiano de 4 anos e... Mammarella defende. Volta a colocar a bola no sítio, agora é Fábio Grosso na final de 2006 frente à França, chuta com a classe de um petiz italiano de 4 anos e... Mammarella defende. Irritado, volta a colocar o raio da redondinha no sítio, cospe para o chão, agora é Totti frente à Holanda no Euro2000, arranca furioso para a bola com a raiva de um petiz italiano de 4 anos e... Mammarella defende de olhos fechados. O puto irrita-se, atira a bola para longe, chama nomes ao pai e foge para a casa da prima, começa a brincar com Barbies e vira homossexual. E porquê? Porque Mammarella, para além de ser um excelente guarda-redes, é um péssimo pai...

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