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Marquês cultural

por Marquês, em 26.02.16

Largos meses, quiçá anos e muitos dias após a minha última passagem por um teatro, eis que fevereiro de 2016 voltou a trazer alguma beleza cultural a esta vida pacata.

 

(créditos de imagem do site bol.pt. não se pode fotografar no teatro por isso recorri à internet para vos mostrar qualquer coisa)

 

"Um ano sem ti", de João Ascenso. E o elenco são aqueles quatro. Isabel Guerreiro, Pedro Barroso, Raquel Rocha Vieira e Ricardo Lérias.

 

Fui ver a peça sem saber nada. Só li o panfleto quando cheguei à Escola de Mulheres, ali na Estefânia. Portanto, as expectativas não eram muito altas nem estava à espera de uma grande produção tipo "Cats" ou "O Barbeiro de Sevilha" mas gostei. 

 

Quatro amigos da faculdade, uma amizade de uma década, um morre, e os outros tentam lidar com essa perda e seguir em frente.

 

Depois impera o drama e a tragédia e o horror! Se calhar é só o drama. E um ou dois retoques de humor proporcionados pela valentona do grupo. 

 

Já não ia ao teatro há algum tempo e já não me lembrava como é bom trocar as salas de cinema pelos velhinhos teatros. Sem o barulho das pipocas, sem as crianças irritantes que vão para o cinema pôr a conversa em dia, e, ainda por cima, em português.

 

 

E os sentimentos. No teatro sentimos as emoções dos personagens e vivemos a história. Não há explosões nem carros a voar, nem tão pouco perseguições que destroem metade de Nova Iorque. Talvez por isso seja mais real, talvez a proximidade desperte em nós mais atenção pela história e não pelos efeitos especiais. 

 

Não foram ver ainda? Aproveitem que só está em cena até domingo!

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Efeito bola de neve

por Marquês, em 30.01.13

Nunca vi neve, já vi gelo ou algo parecido com neve mas neve a sério, como se vê nos filmes, nunca vi. Talvez porque venha do Algarve, conhecido pelo calor e praias, talvez por viajar pouco ou nada, talvez por não gostar do frio. O facto é: nunca vi neve. Mas é como se visse neve todos os dias, ou pelo menos estou metido numa grande bola de neve.

Li há pouco que vão fechar mais 15 salas de cinema no Algarve, nove na Guia e seis em Portimão. Isto no dia seguinte a ter ido ver o novo filme de Tarantino ao cinema e ter encontrado uma sala a meio gás, mesmo com os descontos de segunda-feira. Isto depois de já ter lido que o número de espectadores diminuiu em 2012. Isto depois de ter visto que o filme Morangos com Açúcar teve um sucesso do camandro. Isto depois de ter visto que os bilhetes de cinema aumentaram de preço a velocidade vertiginosa nas últimos anos. Isto depois de ver que o IVA na cultura subiu à bruta. 

Conclusão: este país destrói-se a si próprio, destrói a sua identidade, vende-se ao preço da uva mijona, compra tudo o que é estrangeiro, apoia tudo o que é vergonhoso, expulsa os inteligentes e corajosos.

Os Globos de Ouro portugueses e outros prémios nacionais são uma ofensa à cultura. Não me apetece divagar sobre os vencedores, gosto de ir ao fundo da questão e indagar-me contra a sua nomeação. Lá fora, temos realizadores, filmes e actores portugueses que são galardoados em vários festivais, cujo valor junto da indústria cinematográfica é enorme. Mas de que importa isso para nós? Afinal de contas, são portugueses. 

A cultura está cara, os espectadores pensam duas vezes antes de ir e tentam escolher algo que sabem que vão gostar. E o efeito bola de neve está para durar. 

Hipoteticamente falando, eu ganhava X e conseguia ir várias vezes ao cinema, ao teatro, ao futebol, comprava jornais e revistas, comprava livros, tinha um bom telemóvel e roupa de marca. O Estado lembra-se a tirar-me uma bela fatia do ordenado e começo a cortar em algumas coisas que gosto de fazer. Como se não bastasse, tudo aumenta de preço. Para melhorar, aumentam os serviços, a água, o gás, a electricidade, os transportes, as idas ao médico, o preço do combustível, e vou cortando no uso que dou ao dinheiro. Mas o pão e as compras no supermercado também aumentam e eu passo a comprar produtos mais baratos e em menores quantidades. Antes ia almoçar fora todos os dias e bebia um refrigerante mas sinto o bolso mais apertado e vou só uma vez por semana. No café onde almoçava o dono queixa-se que os produtos que compra estão mais caros, tem de pagar mais impostos sobre o que vende, tem de pagar mais pelas contas de utilização do espaço, é obrigado a aumentar uns míseros cêntimos no que vende mas a clientela está falida e nota o aumento, deixando de ir com tanta frequência. Tudo fica mais caro e a carteira mais curta. Perco dinheiro, perco qualidade de vida, e nem o "desenrascanço" de português me tira do sufoco ao fim do mês. E a bola de neve vai crescendo e parece que neste momento só tenho neve na carteira. O que me vale é que estou a falar no "hipoteticamente"...

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